Saber que existe divisão de classes sociais no Brasil é fato, mas ao assistir ao longa metragem “Expresso do amanhã”, ontem ás 23 horas não pude deixar de fazer a comparação do expresso do filme com a maneira em que são elaboradas e aplicadas politicas públicas para os vulneráveis no nosso país. Fico imaginando aquele trem como a forma em que verbas públicas ainda são votadas no nosso país, ainda se precisa articular a parcerias partidárias para se ter um projeto que beneficie o povo sendo aprovado... Pense comigo, não é algo incoerente o politico no qual nós confiamos à elaboração das nossas leis aprová-las debaixo de um crivo de troca de favores? Se ele não estiver satisfeito com o governante ele não vota a favor, mesmo sabendo que é para o bem do povo. Assim temos tantas leis importantes para o povo paralisadas, esquecidas e até rejeitadas por mero interesse politico.
O Brasil ainda não amadureceu politicamente, e vou ser sincero para meus leitores, não sei quando isso vai acontecer, pois ainda somos influenciados por uma mídia direcionada que tem o interesse  que  sejamos submissos aos interesses dos poderosos. Você percebe isso  na maneira em que o Brasileiro se organiza, poucos se juntam com interesse no idealismo verdadeiro , quase sempre há uma segunda intenção de um político por trás de um movimento. Uma caminhada contra isso ou aquilo, sempre tem lá algum político se utilizando do movimento para seu benefício, mesmo que não acredite naquele movimento, ele está ali. Então somos a tripulação da cauda do trem, como pudemos ver no filme, um povo que só descobriu que comia geleia de insetos à medida que foi invadindo os outros vagões do trem.  E no decorrer do filme se percebeu o que o autor queria mostrar, a ditadura de um dono de trem, se utilizando da vida das pessoas miseráveis para que o trem não parasse, outros pagavam para que uns tivessem privilégios.A parte que me fez pensar mais sobre o poder de uma política de continuísmo, foi quando  se descobriu  que o melhor amigo do revolucionário do filme , era  sócio do dono do trem e passava todas as informações para os poderosos, foi decepcionante para o revolucionário, eu pensei: “É retrato de movimentos que pessoas lutam por seus direitos e  tem sempre alguém lutando contra o próprio grupo, dentro do grupo.”Para mim quando o filme traz o debate da distribuição de renda, exploração do trabalho infantil, preconceito racial e de classes, ele nos leva a reflexão profunda de que devemos lutar e acreditar que podemos mudar o rumo da humanidade, podemos sim parar o trem da injustiça e mentiras, que se movimenta com o carvão do nosso suor e dos nossos sonhos.
Podemos começar a mudar o quadro esse ano, colocando gente que de fato tenha a visão e a paixão de mudar a nossa realidade municipal, mesmo que lhe custe o próprio mandato.


                                            Gilberto Penha de Andrade
       Especialista em Desenvolvimento Humano e Gestão de Politicas Públicas de Gêneros Raças e Etnias.